sábado, 17 de maio de 2008

O começo de uma história

Era dia dois de setembro de dois mil e três. Sim, há quase 5 anos! Como os dias, meses e anos passam "voando", não é? Ou não. O tempo é muito relativo; momentos inesquecíveis que duram horas nos parecem ser minutos, já os momentos de dor demoram mais do que deveriam para passar.
Uma quarta-feira, lembro-me muito bem. Já passava das sete horas da noite quando meu pai se encontrava na cozinha preparando o jantar e eu, como sempre, sentada em frente ao computador conversando com pessoas que eu considerava amigas e ao menos conhecia na vida real. Não via fotos, não ouvia as vozes, não sentia o abraço; era somente uma máquina fria me respondendo o tempo todo por um programa chamado ICQ.
Eu era uma menina de treze anos cheia de sonhos infantis e pensamentos ingênuos. Quieta, tímida, rebelde e sozinha, ainda acreditava em "príncipe encantado" ou no "juntos para sempre". Passava por todas as mudanças que o ser humano passa na fase da puberdade e me julgava muito conhecedora da vida. Eu já achava que sabia até o que era o amor! O "amor" frio, plugado na rede, no MSN, distante, DESCONHECIDO. Quanta ingenuidade!
O dia seria comum e nada marcante se não fosse por um e-mail desconhecido pedindo a minha autorização no messenger. Até aí, nada anormal. Com quantas pessoas virtuais ou reais eu não conversei por dias ou até por apenas horas? Este seria só mais um, logo depois esquecido na minha lista de contatos. O e-mail era: cpunk182@ hotmail.com; e o nome dele? Guilherme. Gui. guigão, guizão. Carioca da gema, alto, magro, cabelo enrolado, moreno, piercing, rockeiro, rebelde sem causa, tímido e "xavequeiro", se assim é possível definir uma pessoa tão complexa. Ele tinha 14 anos, cursava a última série do ensino fundamental e vivia num apartamento em Copacabana junto do pai. Rico, com avós morando em um belíssimo condomínio da Barra da Tijuca, tinha sua mãe e suas duas irmãs menores distantes dele, que moravam em Vitória.
Num primeiro momento, julguei-o como um garoto mimado, "playboy" e de vida fácil. Para ele todo aquele conforto deveria ser motivo de muita felicidade e status. Pensava comigo: "Quanta futilidade!". Grande erro, quis julgar um menino que eu não tinha nem idéia se realmene existia no mundo além do virtual e ainda passei a mentir em cada pergunta que fazíamos um para o outro. O problema foi quando as nossas conversas passaram a ser constantes; todo dia por várias e várias horas. Como continuar me mostrando o que eu não era? Como sustentar tantas mentiras sem entrar em contradição?
Em uma tarde de outubro voltando do colégio, liguei o computador maquinalmente e conectei meu messenger pensando em encontrar o carioca on-line. Eram duas horas da tarde e nada. Ele costumava entrar à uma hora todos os dias; por onde andava? Percebendo o quanto eu já me preocupava com aquela pessoa que se encontrava por trás de uma fria tela e o quanto eu já havia me acostumado com aquela "companhia", eu decidi contar toda a verdade: desmenti minha idade, meus gostos, minha descrição, meus desejos, meus pensamentos e toda imagem desnecessária que eu havia criado da minha pessoa. Para o meu espanto o Guilherme fez o mesmo; desmentiu cada opinião, cada pensamento ou atitude. E foi nesse dia que eu percebi que nós tínhamos muito mais em comum do que eu podia imaginar. Ele estava longe de ser um garoto fútil. Muito pelo contrário! Era frágil, triste, sozinho, TÍMIDO e com feridas pouco cicatrizadas num coração tão doce.
Eu queria fazer bem para o Gui, porque ele me trazia essa sensação e muito mais. Sim...foi o começo da história de amizade e de amor mais sincera da minha vida.

Hoje, meia noite e cinco do dia dezoito de dois mil e oito, eu me encontro sozinha em casa ouvindo uma música chamada "Quem ama uma vez não deixa de amar". É, bateu a nostalgia, a saudade, a FALTA, a VONTADE LOUCA de estar junto...de voltar no passado. Se fosse há três anos atrás eu estaria provavelmente com o Gui no telefone e passaria horas e hoooooras jogando conversa fora sem se preocupar com o tamanho da conta no fim do mês. Estaria com o sorriso no rosto de ponta a ponta. Com aquele brilho no olhar. Porém, as lágrimas já alcançam o rosto e aquele nó na garganta, a dor no peito voltam. Claro, a dor não tem a mesma intensidade de antes, ela passou do estado agudo para o crônico, mas está sempre por aqui...me acompanhando todos os dias.
No próximo dia trinta meu anjinho estaria completando 19 anos. Ah! E como seria lindo estar ao lado dele nesse dia tão especial! Ele, na faculdade de engenharia civil; eu, na faculdade de arquitetura e urbanismo. UFRJ. Barra da Tijuca. Família Pimentel e família Bertuccelli. Tudo muito perfeito para se tornar realidade.
É impossivel não imaginar como seria se todos os nossos sonhos tivessem se realizados e como seria vivermos todos os dias juntos depois de tanto tempo separados pela distância entre SP-RJ. Agora a distância é muito maior do que meros 450 km. Aí vem as angústias, os sonhos que foram obrigados a mudarem de rumo (FAU USP) e as lágrimas que eu tive e ainda tenho que segurar em tantas ocasiões. A minha vida parou por um bom tempo, mas o mundo não parou para que eu reconstruísse meu coração.
Reconstruí? Não........

2 comentários:

Nena disse...

e como eu entendo...

.carolina. disse...

A distância é menor que 450km. Ele tá com você. Pensando em você. E quando isso acontece, quando um pensa no outro, não existe distância, só existe amor.
Tah melhor hoje, Bru?
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